Escola Freudiana de Belo Horizonte

Tema de Estudo 2025

Economia de gozo e direção do tratamento

A proposta de estudos para 2025 pressupõe, já em seu enunciado, uma torção, um movimento que traz enlaçados a clínica e o Outro da cultura, mais precisamente o que Lacan pontuou na proposição de 1967 sobre “análise em intenção e análise em extensão”. Nessa confluência, nos dias de hoje, pode-se ler uma demanda crescente por um olhar que bordeja o real instalado nos objetos de gozo na contemporaneidade e o que se pode escrever de sua economia. A questão também aponta para um retorno aos fundamentos éticos do inconsciente freudiano.

 
O sentido de direção, argumento utilizado por Lacan em 1958, posto em seu texto “Direção do tratamento e os princípios de seu poder”, indicava a necessidade de pensar o sujeito em seu laço com o Outro, em que as vicissitudes do tempo clamavam por uma retomada. A crítica contundente de Lacan à psicologia do ego e o quantum de afeto amoroso deslocado na idealização do analista põem em cena nesse texto a transferência, ponto de partida para apresentar o sujeito do inconsciente em sua falta – a -, ser onde o desejo, apresentado como um vazio operador, também se aloja nos desfiladeiros na cadeia significante.

 
Para abordar a economia de gozo, lembremos que, em 1920, os impasses da clínica pressionaram Freud, ao se perceber que a aderência do real na subjetividade da época insistia em não se inscrever. O prazer na dor, a satisfação no sofrimento do sintoma, o gozo da repetição do mesmo fracasso fazem supor a existência de um gozo paradoxal que interrogava o princípio do prazer. Nesse mesmo contexto, uma gramática pulsional já fora abordada por Freud em 1915 – “Pulsão e destino das pulsões” -, quando nela também podemos incluir o corpo em sua trama imaginária e real e sua constituição de borda: “entre o psíquico e o somático”.

 
“(…) a pulsão tem a ver com a experiência de satisfação que passa pelo corpo, uma satisfação não-toda, onde deixa sempre um resto…Por que um resto? Se, supostamente, houver uma primeira experiência de satisfação, uma satisfação mítica, algo dessa experiência corporal vai se inscrever como marca, como traço, inaugurando o registro da representação. Porém, quando se busca repeti-la, a satisfação já não é a mesma: entre o primeiro traço e o seguinte, há um intervalo (..). ERICKSON Nilza, “Economia de gozo e final de análise” p.24.

 
Por esse enunciado, seria possível encontrar lalangue, origem do gozo, no tempo mítico da constituição do sujeito?

Transmissão e Produção – Tema de Estudos 2025.

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